Mostrando postagens com marcador mistificação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador mistificação. Mostrar todas as postagens

domingo, 3 de janeiro de 2016

Mediunidade e racionalização - caminho da mistificação

Na tentativa de evitar os excessos da imaginação em torno das questões da mediunidade, os espíritas armaram-se de cuidados tais que acabaram racionalizando por demais a prática mediúnica. Esquecem-se de que o intelecto ainda é órgão dos sentidos e, para os espíritos sagazes, os sentidos representam o campo de ação, através dos quais eles se conectam com os médiuns.

Na tentativa de tudo explicar em relação aos fenômenos, os médiuns não encontram a ocasião de serem testados na fé ou de passarem pelas aferições do coração, estas sim, mais apropriadas para validar o que é de ordem espiritual.

Ao perceber a preocupação dos espíritas em fomentar o racionalismo como meio de conter possíveis excessos do fanatismo, os espíritos viram nisso oportunidade de insuflar o mal através do bem aparente. Eles estimularam o rigor disciplinar na tentativa de fazer com que os médiuns, empenhados em manter-se alerta para evitar as mistificações, deixassem de aprofundar o processo de autoconhecimento. E isto é o que representa o meio mais seguro, capaz de evitar que o médium seja mistificado. 

Os médiuns ocuparam-se no sentido de aprender a identificar os meios possíveis pelos quais poderiam vir a ser confundidos. Entretanto, esqueceram-se de que, sem que conheçam profundamente o próprio mundo interior, continuam à mercê dos espíritos que desenvolvem métodos cada vez mais sutis de aproximação.

Isso contribui para a triste situação que atinge grande número de reuniões espíritas. Espíritos fazem-se passar por trabalhadores do Cristo, quando, a bem da verdade, são mentes engenhosas, capazes de enganar até os mais experimentados. Os mais ludibriados são, quase sempre, aqueles que acreditam no vasto conhecimento já adquirido com estudos conceituais, como sendo suficiente para livrá-los do embuste.

Falta-nos ainda a fé que leva o espírito a transpor a barreira que o separa da verdade. Essa fé, capaz de remover montanhas e obstáculos, podemos encontrar em alguns personagens do Evangelho, a exemplo da mulher hemorrágica que, desejando curar-se, venceu a própria inércia, rompeu com as convenções e foi ao encontro dos recursos de que necessitava para curar-se. Ela rompeu com a passividade para tornar-se protagonista da própria existência. Isso é algo que o Alto espera dos medianeiros conscientes do papel que lhe compete. (...)

Trecho do capítulo 3, "A disputa pela posse da verdade", páginas 41 a 43
Livro: Mediunidade sem Fronteiras, autora: Fátima Ferreira
Editora Inede


sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Ação mistificadora nos centros espíritas, por Cícero Pereira

Mistificar é engodar, mentir, adulterar. A mentira lamentavelmente passou a fazer parte da vida humana como "hábito necessário". Entronizada como se fosse a verdade, essa "mentira aceitável" nos jogos sociais da aparência e da disputa passou a constituir "mal indispensável". 

Tangendo os assuntos do espírito, ela apresenta-se não somente sob os aspectos do comportamento, mas também na interação com o mundo dos espíritos. Pelas vias da mediunidade a mentira tem grassado em todos os tempos. 

Os centros doutrinários, desde os primeiros tempos, se veem de modo mais ou menos intenso envolvidos com o assunto mistificação, aqui entendido como um engodo de um desencarnado sobre um encarnado. 

Quase sempre nesse tema, a mistificação está de braços dados com a mitificação. Mitificar é idolatrar, supervalorizar a palavra dos "mentores" e aceitar cegamente seus conselhos e ensinos, elevando-os à condição de seres infalíveis. A mitificação, presente em grande parte das nossas instituições espíritas, permite a formação de um campo propício à hipnose do raciocínio, levando grupos e médiuns desavisados e incautos a crerem nas mais estapafúrdias e exóticas mensagens e teorias. 

O milenar "instinto" idólatra-mitológico do homem causa-lhe fascínio e motivação até hoje, desde os imemoriais tempos do horizonte tribal. A adoração a "coisas metafísicas e sobrenaturais" sempre consistiu em fator motivador da fé embrionária, em crescente desenvolvimento. Crer nos espíritos, com idolatria, é inerente à bagagem psicológica dos mitos que o homem desenvolveu em usa jornada de lições milenares. Graças a essa sua fé ingênua e exterior tem ocorrido exorbitações e abusos de todo gênero. 

(...)

O misticismo propicia a superstição, a ritualização, o dogmatismo e a fantasia.

A mitificação favorece o fanatismo, o pieguismo e a idolatria.

Ambos, o misticismo e a mitificação, ensejam a ação mistificadora das nossas casas de bem. 

(...)
O movimento espírita padece, sobremaneira, com os escusos processos de mistificação. Imprescindível indagar-nos com clareza: por que não temos encontrado histórias que sejam frutos de vivências, para ilustrar o modus operandi dos mistificadores atuais? Que preventivos os centros espíritas podem se utilizar na formação de médiuns e grupos seguros? Quais atitudes devem tomar os grupos quando são mistificados? (...)

Trecho do capítulo 9, da segunda parte do livro UNIDOS PELO AMOR.
Autor: espírito Cícero Pereira/médium Wanderley Oliveira