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sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Ação mistificadora nos centros espíritas, por Cícero Pereira

Mistificar é engodar, mentir, adulterar. A mentira lamentavelmente passou a fazer parte da vida humana como "hábito necessário". Entronizada como se fosse a verdade, essa "mentira aceitável" nos jogos sociais da aparência e da disputa passou a constituir "mal indispensável". 

Tangendo os assuntos do espírito, ela apresenta-se não somente sob os aspectos do comportamento, mas também na interação com o mundo dos espíritos. Pelas vias da mediunidade a mentira tem grassado em todos os tempos. 

Os centros doutrinários, desde os primeiros tempos, se veem de modo mais ou menos intenso envolvidos com o assunto mistificação, aqui entendido como um engodo de um desencarnado sobre um encarnado. 

Quase sempre nesse tema, a mistificação está de braços dados com a mitificação. Mitificar é idolatrar, supervalorizar a palavra dos "mentores" e aceitar cegamente seus conselhos e ensinos, elevando-os à condição de seres infalíveis. A mitificação, presente em grande parte das nossas instituições espíritas, permite a formação de um campo propício à hipnose do raciocínio, levando grupos e médiuns desavisados e incautos a crerem nas mais estapafúrdias e exóticas mensagens e teorias. 

O milenar "instinto" idólatra-mitológico do homem causa-lhe fascínio e motivação até hoje, desde os imemoriais tempos do horizonte tribal. A adoração a "coisas metafísicas e sobrenaturais" sempre consistiu em fator motivador da fé embrionária, em crescente desenvolvimento. Crer nos espíritos, com idolatria, é inerente à bagagem psicológica dos mitos que o homem desenvolveu em usa jornada de lições milenares. Graças a essa sua fé ingênua e exterior tem ocorrido exorbitações e abusos de todo gênero. 

(...)

O misticismo propicia a superstição, a ritualização, o dogmatismo e a fantasia.

A mitificação favorece o fanatismo, o pieguismo e a idolatria.

Ambos, o misticismo e a mitificação, ensejam a ação mistificadora das nossas casas de bem. 

(...)
O movimento espírita padece, sobremaneira, com os escusos processos de mistificação. Imprescindível indagar-nos com clareza: por que não temos encontrado histórias que sejam frutos de vivências, para ilustrar o modus operandi dos mistificadores atuais? Que preventivos os centros espíritas podem se utilizar na formação de médiuns e grupos seguros? Quais atitudes devem tomar os grupos quando são mistificados? (...)

Trecho do capítulo 9, da segunda parte do livro UNIDOS PELO AMOR.
Autor: espírito Cícero Pereira/médium Wanderley Oliveira 

segunda-feira, 17 de junho de 2013

A licantropia, por André Luiz

Um caso de licantropia narrado por André Luiz, no livro  "Libertação" . Interessante observar o material fornecido pela mente da "vítima" da hipnose. O poder da mente nos destinos da vida. 
Confira.

- André Luiz vai a uma missão na região dominada pelos chamados "Dragões", acompanhado do instrutor Gúbio e de outro companheiro, o Élio. Eles acompanham uma cerimônia dos "juízes" diante dos espíritos subjugados no local. Uma mulher é o alvo de um dos hipnotizadores. 

"E incidindo toda a força magnética que lhe era peculiar, através das mãos, sobre uma pobre mulher que o fixava, estarrecida, ordenou-lhe com voz soturna:
— Venha! venha!
Com expressão de sonâmbula, a infeliz obedeceu à ordem, destacando-se da multidão e colocando-se, em baixo, sob os raios positivos da atenção dele.
— Confesse! confesse! — determinou o desapiedado julgador, conhecendo a organização frágil e passiva a que se dirigia.
A desventurada senhora bateu no peito, dando-nos a impressão de que rezava o “confiteor” e gritou, lacrimosa:
— Perdoai-me! perdoai-me, ó Deus meu!
E como se estivesse sob a ação de droga misteriosa que a obrigasse a desnudar o íntimo, diante de nós, falou, em voz alta e pausada:
— Matei quatro filhinhos inocentes e tenros... e combinei o assassínio de meu intolerável esposo... O crime, porém, é um monstro vivo. Perseguiu-me, enquanto me demorei no corpo...
Tentei fugir-lhe através de todos os recursos, em vão... e por mais buscasse afogar o infortúnio em “bebidas de prazer”, mais me chafurdei no charco de mim mesma...
De repente, parecendo sofrer a interferência de lembranças menos dignas, clamou:
— Quero vinho! vinho! prazer!...

Em vigorosa demonstração de poder, afirmou, triunfante, o magistrado:
— Como libertar semelhante fera humana ao preço de rogativas e lágrimas?
Em seguida, fixando sobre ela as irradiações que lhe emanavam do temível olhar, asseverou, peremptório:
— A sentença foi lavrada por si mesma! não passa de uma loba, de uma loba...
A medida que repetia a afirmação, qual se procurasse persuadi-la a sentir-se na condição do irracional mencionado, notei que a mulher, profundamente influenciável, modificava a expressão fisionômica. Entortou-se-lhe a boca, a cerviz curvou-se, espontânea, para a frente, os olhos alteraram-se, dentro das órbitas. Simiesca expressão revestiu-lhe o rosto.

Em voz baixa, procurei recolher o ensinamento de Gúbio, que me esclareceu num cicio:
— O remorso é uma bênção, sem dúvida, por levar-nos à corrigenda, mas também é uma brecha, através da qual o credor se insinua, cobrando pagamento. A dureza coagula-nos a sensibilidade durante certo tempo; todavia, sempre chega um minuto em que o remorso nos descerra a vida mental aos choques de retorno das nossas próprias emissões.

E acentuando, de modo singular, a voz quase imperceptível, acrescentou:
— Temos aqui a gênese dos fenômenos de licantropia, inextricáveis, ainda, para a investigação dos médicos encarnados. Lembras-te de Nabucodonosor, o rei poderoso, a que se refere a Bíblia? Conta-nos o Livro Sagrado que ele viveu, sentindo-se animal, durante sete anos. O hipnotismo é tão velho quanto o mundo e é recurso empregado pelos bons e pelos maus, tomando-se por base, acima de tudo, os elementos plásticos do perispírito.

Notando, porém, que a mulher infeliz prosseguia guardando estranhos caracteres no semblante perguntei:
— Esta irmã infortunada permanecerá doravante em tal aviltamento da forma?
Finda longa pausa, o Instrutor informou, com tristeza:
— Ela não passaria por esta humilhação se não a merecesse. Além disso, se se adaptou às energias positivas do juiz cruel, em cujas mãos veio a cair, pode também esforçar-se intimamente, renovar a vida mental para o bem supremo e afeiçoar-se à influenciação de benfeitores que nunca escasseiam na senda redentora. Tudo, André, em casos como este, se resume a problema de sintonia. Onde colocamos o pensamento, aí se nos desenvolverá a própria vida." (...)

Livro: Libertação (Capítulo 5, Operações Seletivas)
Autor: André Luiz / Chico Xavier