domingo, 22 de março de 2015

Desmitificando a realidade espiritual - o desafio educacional dos médiuns


(...) Tomar consciência da realidade espiritual como ela efetivamente é, e não como gostaríamos que fosse, poderá ajudar-nos a desiludir e assim avançarmos mais rapidamente. E por mais que possam ajudar, não serão informações ou esclarecimentos doutrinários que nos permitirão um novo padrão energético. Isso só acontecerá a medida que optarmos por uma mudança de postura diante da vida. Mudança que envolve desde a aceitação das nossas fragilidades, a ruptura om comportamentos que não sejamos capazes de sustentar em quaisquer circunstâncias, até a manutenção do foco na construção das virtudes que almejamos desenvolver.
 
Sem que estejamos em paz com a nossa intimidade será difícil adquirirmos autoridade moral, por menor que seja, para olharmos frente a frente a realidade sem medo de sermos descobertos pelo olhar observador dos justiceiros, os quais enxergam além das aparências.
 
O desafio dos médiuns é educacional, mas com uma educação que vem de dentro e não de fora. O que permitirá que novos hábitos sejam adotados é o firme propósito de ancorarmos nosso foco naquilo que pretendemos atingir. Somente assim teremos forças para vencermos nossas viciações.
 
*Livro Mediunidade sem Fronteiras, autora Fátima Ferreira.
Educação Mediúnica, cap. 7 - Desmitificando a realidade espiritual.

domingo, 28 de setembro de 2014

Programa Mediunidade em Tempos de Transição na Boa Nova

Toda segunda-feira, a partir das 15h, é veiculado pela Rede Boa Nova de Rádio, o programa MEDIUNIDADE EM TEMPOS DE TRANSIÇÃO. Ele é realizado pelo GRUPO ESPÍRITA ESPERANÇA e tem como apresentadores a coordenadora de comunicação do Gespe, Alexandra Torres, e o coordenador geral, Carlos Pereira.

Como o próprio nome já sugere, o programa fala dos desafios que envolvem o trabalho de intercâmbio entre mundos nesse momento conturbado de planeta, onde já adentramos no processo de transição planetária. Quais os novos desafios para os médiuns, a importância do estudo e da vivência dos ensinos no dia a dia dos medianeiros, a diferença entre grupo mediúnico e reunião mediúnica, complexidade de casos nesse momento planetário, são alguns dos temas que são abordados.

O trabalho é feito em formato de estudo sempre baseado em uma ou mais obras, por cada série proposta. 

No momento está sendo apresentada a série TOP 20 DA MEDIUNIDADE, onde foram listadas 20 obras que consideramos importantes para o estudo inicial de quem deseje atuar com mediunidade. Essa lista "não fecha questão", pelo contrário, é apenas um indicativo de livros e autores para que o ouvinte possa iniciar-se no tema e ampliar sua literatura sobre o assunto.

Àqueles interessados em conhecer nosso programa, basta acompanhar ao vivo, toda segunda-feira, ou entrar no site da Boa Nova: www.radioboanova.com.br e buscar a página do programa. Lá nossos estudos podem ser ouvidos em off line, a qualquer hora do dia.

Fica o convite. 
Abaixo a relação dos livros que estamos estudando nesse momento. 

Um grande abraço, 
GRUPO ESPÍRITA ESPERANÇA - GESPE


terça-feira, 23 de setembro de 2014

Kardec e a convivência com médiuns orgulhosos e melindrosos

"A já longa convivência com médiuns e adeptos de diferentes perfis permitiria a Kardec classificar os espíritas em três categorias básicas, listadas em seus discursos:

- Os que creem pura e simplesmente nos fenômenos, mas que deles não deduzem qualquer consequência moral. Os que percebem o alcance moral, mas o aplicam aos outros e não a eles mesmos. Os que aceitam pessoalmente todas as consequências da doutrina e que se esforçam por praticar a sua moral.

Em muitos encontros, era grande a quantidade de médiuns ou de interessados em atuar como instrumentos de comunicação com o além. E era a eles que Kardec endereçava os recados mais diretos, e mais duros. Deveriam se cuidar para que não se tornassem inimigos internos da própria doutrina.

Alguns poderiam errar por interesse material - e todos precisariam assumir o compromisso de renegar quaisquer médiuns que cobrassem por seus serviços. Outros poderiam se equivocar por pura vaidade, ávidos não por dinheiro, mas por projeção. Outros ainda poderiam ser traídos pelo orgulho. E Kardec já estava cansado deles: dos médiuns que atribuíam todas as mensagens que recebiam a espíritos superiores, sem questionar e sem aceitar críticas contrárias.

Críticas que o mestre costumava fazer e que já tinham provocado uma série de dissidências. Sem dar nomes, Kardec contou, em seu périplo pela França, uma história recente de orgulho ferido. Inconformado porque não fora convocado a psicografar em determinada reunião, um médium se retirou da sessão e protestou contra o tratamento "imperdoável".

Kardec ainda estava indignado com o episódio:
- Imperdoável! Concebei esta palavra nos lábios de pessoas que se dizem espíritas? Eis aqui uma palavra que deveria ser riscada do vocábulo espírita!

O mesmo médium exigia atenção constante e admiração de todos, como se fosse alguém especial, escolhido por Deus para a missão de dar voz aos espíritos. A tensão sempre aumentava diante dele, porque qualquer palavra poderia ferir sua vaidade. Como lidar então com intermediários desse tipo? Kardec deu a receita em seu discurso:

- Eu os convido a tomar minha atitude, isto é, a de não dar importância a médiuns que antes constituem um entrave do que um recurso."

Trecho do livro: KARDEC - A biografia, de Marcel Souto Maior
Capítulo "Na Estrada", págs. 224 e 225

domingo, 18 de maio de 2014

Confiança e fé, por Maria Modesto Cravo


O trabalho no bem é urgente e inadiável.

Todos precisamos nos conscientizar dos momentos difíceis que vivemos e acomodação definitivamente não é a palavra da hora. Em todos os circuitos da vida observamos inquietação e medo, mas isto tem a sua razão de ser. O bem está chegando para se implantar definitivamente na Terra e isto incomoda profundamente aqueles que se revezam em atropelar o ritmo natural de desenvolvimento da humanidade.

Nas lides espíritas, acostumadas com as informações do bem-viver e as notícias provenientes do mundo espiritual, nada a temer e muito mais o esforço de acalmar os ânimos daqueles que pensam em entrar imediatamente no desespero. Esta onda do mal somente se proliferará se dermos cabimento a ela. Cada um pode barrar os impulsos da maldade em si orientando novos pensamentos e levando a serenidade onde mourejam.

Este tipo de comportamento, de pacificação, será cada vez mais necessário nos próximos dias da humanidade terrestre porque eles tentarão, a todo custo, instalar o reino do medo e da confusão, mas nós necessitamos estar em alerta e evitar que este quadro de inquietação se propague.

Bem avisou-nos o mestre de Nazaré que “somente lobos é que caem na armadilha de lobos”, portanto, herdeiros do Cordeiro, comportemo-nos  diante de tais situações com a confiança que possuímos em quem nos delegou a tarefa de termos vida em abundância, não uma vida qualquer ou de menor qualidade, mas vida saudável e frutífera.

Os momentos difíceis se aproximam e serão cada vez mais frequentes no cotidiano de nossa gente, mas nada que não seja monitorado pelos agentes do bem na Terra que a tudo vê e age.

Se soubessem o que se passa nos subterrâneos da Terra e aquilo que efetivamente chega ao vosso conhecimento ficariam absolutamente tranquilos do enorme trabalho restaurador que produzimos em conjunto para a humanidade.

Fazemos isto não por bondade, porque ainda não nutrimo-la na sua inteireza, mas por absoluta solidariedade e inteligência. Solidariedade porque não queremos ver todos se perdendo em atropelos de mil ordens, e inteligência, porque o reflexo do que se faz aí vem inevitavelmente para o lado de cá da vida.

Acalmemos os nossos ânimos, ajamos com serenidade e confiança. Jesus está no leme sempre. Nada ocorre sem que Ele saiba e permita.

Sim, porque temos que aprender a sermos fortes e corajosos.

Temos que saber como enfrentar a maldade que ainda grassa no coração dos homens para ressignificá-la.

Temos que ser fortes em enfrentar aos impulsos menores dentro de nós mesmos.

Este desafio é coletivo e não se limita unicamente aos que estão neste momento na carne porque nós outros também possuímos resquícios das nossas inferioridades e cujas vibrações ainda se fazem presentes em determinadas situações. O aprendizado, nestes tempos, é literalmente para todos.

Façam o que manda sua fé. Confiem e prossigam no bem. Todo o resto se acomodará se você fizer a sua parte. E assim, em movimento coletivo, apaziguaremos os ânimos e controlaremos com segurança as turvas águas que se avizinham para todos nós.

Fiquemos na paz de Nosso Senhor Jesus Cristo!

Maria Modesto Cravo

Texto recebido por Carlos Pereira em 18 de maio de 2014.
Postado no blog: blogdecarlospereira@blogspot.com

domingo, 9 de março de 2014

Sutileza dos Fenômenos Anímicos



O animismo representa um capítulo indispensável no estudo da prática espírita.


Nos códigos doutrinários, especialmente em O livro dos Espíritos e em O livro dos médiuns, encontramos importantes lições sobre os potenciais que cada alma encerra em si, tornando-a capaz de produzir um sem número de fenômenos à revelia da interferência dos Espíritos.


Cunhada pelo sábio russo Alexandre Aksakof, a palavra animismo, que vem do latim anima, se destina à explicação daqueles fenômenos transcendentais que são produzidos pela alma do médium sem a colaboração direta dos Espíritos; são, por isso, manifestações que vem do próprio ser, exteriorizando capacidades que todos possuímos, mas que, na maioria de nós, encontram-se dormitando.

Assim, é possível à alma promover movimentações de objetos e mesmo fenômenos inteligentes sem o concurso espiritual, a ponto de confundir o observador quanto à verdadeira causa de tais episódios.

Em O livro dos médiuns, no capítulo intitulado “o papel dos médiuns nas comunicações”, Allan Kardec explica suficientemente tais ocorrências, lembrando, na palavra dos Espíritos Codificadores, que o ser encarnado também é um Espírito que, embora encarcerado no corpo, por vezes logra desprender-se das amarras da matéria para gozar da plenitude de suas forças espirituais.

Somos da opinião, inclusive, de que nenhum fenômeno mediúnico há que dispense a colaboração anímica, ou seja, a participação do médium. Ousamos afirmar que essa colaboração é indispensável para que os fenômenos aconteçam, já que o médium, qualquer que seja ele, jamais é inteiramente passivo durante as comunicações, participando ora com seu vocabulário, ora com seus conhecimentos, ora, mesmo, oferecendo limites e ampliações àquilo que cada comunicante pretenda alcançar.

Confessamos que nada do que produzimos na mediunidade, quando encarnada, teríamos feito se não colocássemos nossos potenciais anímicos à disposição dos Espíritos. Quer nos desdobramentos, quer na psicografia, sobretudo por sermos médium consciente, participávamos positivamente na obtenção dos ditados, facilitando aos Espíritos cuidarem das questões mais importantes, desembaraçando-se de aspectos procedimentais que pudessem turvar as atividades.

Daí porque, não apenas do ponto de vista teórico, mas pela nossa experiência, consideramos relevante que médiuns e esclarecedores se debrucem sobre o estudo dos fenômenos anímicos, pois que representam uma sutileza a mais na prática da mediunidade. Não havendo fenômeno mediúnico sem fenômeno anímico, é imperioso compreender quando começa um e termina o outro, ou em que momento se confundem e se complementam, para que a prática espírita possa ser levada a efeito com maior tranquilidade e sem estranhamentos.

O estudo do animismo e dos seus fenômenos nos permitirá ver essas manifestações com a naturalidade de que se revestem, longe da atmosfera de perseguição e ridicularização que os cercam. Animismo não é crime nem um fantasma temerário, mas ocorrência natural e comum no trato mediúnico.

Busquemos em Kardec e nos seus vários continuadores as referências de que necessitamos, a fim de colocarmos nossos potenciais mediúnicos e anímicos, o mais que pudermos, a serviço do Evangelho e do Espiritismo.

Com votos de paz,
Yvonne do Amaral Pereira
(Mensagem recebida por Pedro Camilo em 07.09.11, para a XXVI Semana Telles)

domingo, 10 de novembro de 2013

AUTO-OBSESSÃO, por Hammed


Mas é necessário evitar atribuir à ação direta dos Espíritos todas as nossas contrariedades, que, em geral, são conseqüências da nossa própria incúria ou imprevidência." 

(Livro dos Médiuns - 2ª Parte - cap. XXIII, item 253.) 

A influência obsessiva da alma sobre si mesma denomina-se auto- obsessão. A criatura passa a ser "a opressora de si própria"; há um verdadeiro "campo de batalha" em seu mundo interior, provocando alterações de comportamento físico, emocional e mental. Ao pensar, através de seu centro mental, ela irradia vibrações ou ondas que se propagam ao seu derredor.  

A mente emite e, ao mesmo tempo, capta qualquer onda energética que a atinja, desde que esteja vibrando na mesma sintonia espiritual de outra fonte emissora.  

Cada pessoa plasma os reflexos de si mesma e, por onde passa, entra em comunhão com a matéria mental alheia, exteriorizando o seu melhor lado, ou mesmo, criando perturbação ou desajustamento.  
Em síntese: somos nós mesmos que ligamos ou desligamos o fio condutor de nossos sentimentos e pensamentos.  

A projeção mental se vincula, se perpetua e se justapõe, ou se desata, se distancia e se inibe, dependendo da força da determinação e do grau de conhecimento, isto é, do potencial evolutivo do indivíduo.  

Dessa forma, as almas em desarmonia íntima são semelhantes a um ímã: atraem para si forças destrutivas que lhes assinalam o âmago, projetando teias enfermiças através de sua atmosfera psíquica ou de sua aura doentia.  

Geralmente, a auto-obsessão vem acompanhada de sentimentos de culpa, de autocensura, de recriminação, de complexos de inferioridade e de irresponsabilidade pelo próprio destino.  

Esses sentimentos desagradáveis resultam, incondicionalmente, de idéias ou crenças inadequadas e inconscientes que distorcem o real significado de bondade, de pureza, de honestidade, de castidade, de retidão, de evolução, de religiosidade e de outros tantos conceitos ou definições.  

A criatura passa a ser "vitima do destino" e, tal é a apatia e passividade que a envolve, que ela se julga imperfeita e impotente, ignorando sua possibilidade de mudar ou de utilizar seu livre-arbítrio.  
Os auto-obsidiados sentem-se tratados de forma injusta pela vida, ressaltando negativamente o modo de ser das pessoas, das coisas e de si mesmos.  

São facilmente influenciados e se asfixiam constantemente com as "sujeiras do mundo".  
Por terem uma aura de negatividade, atraem "larvas astrais" que desarranjam o reino interior. Aquele que se encontra em auto-obsessão experimenta um modo de viver complicado ou embaraçado. 

Tem dificuldade de analisar, discernir e sentir a vida tal como ela é, pois lhe falta a "visão sistêmica" da existência humana.  

Ele carece da síntese das experiências vividas, pois seu pensamento analítico fica obstruído.  

Quando nos conscientizamos de nossos processos mentais, passamos a clarear nosso mundo interior e a administrar nossas atitudes psíquicas.  

A partir disso, resgatamos o "senso pluridimensional" de almas imortais.  

A faculdade de raciocinar faz com que percebamos a proporção de nossas dificuldades, a dimensão e extensão de nossos problemas e conflitos existenciais.  

Por isso, é importante tomar consciência do quanto ignoramos a vida dentro e fora de nós. Sobretudo quando o fato de ignorar nos leva à humildade, por admitirmos o quanto não sabemos, como também nos incentiva na busca do aprendizado e da sabedoria.  

Platão, filósofo grego, discípulo de Sócrates e mestre de Aristóteles, escreveu:  
"As pessoas ignorantes não procuram sabedoria. O mal da ignorância está no fato de que aqueles que não são bons nem sábios estão, apesar disso, satisfeitos consigo mesmos. Não desejam aquilo de que não sentem falta". 

Os dicionários definem auto-ilusão como um engano dos sentidos ou da mente, que faz com que interpretemos de forma errada uma atitude, um fato ou uma sensação, tomando-os por coisas completamente diferentes. 

O estudo de nós mesmos nos ajuda a escapar do intrincado labirinto no qual vivemos e nos permite desenvolver nossas habilidades adormecidas, facilitando-nos, assim, entrar em contato com a sabedoria da Vida Providencial, que tudo governa através de suas leis naturais.  

A auto-obsessão está vinculada aos processos de elaboração do mundo intimo, podendo acarretar sérios distúrbios no corpo astral e, consequentemente, na roupagem física.  

Quanto mais ignorarmos o processo das leis divinas, cultivando mágoa, culpa, crítica, baixa estima, ilusão, dependência e outras tantas "dores da alma", mais estaremos semeando farpas magnéticas no campo emotivo e intoxicando, por conta própria, a nossa atividade mental.  

Para nos libertarmos das prisões da auto-obsessão,é necessário exercitarmos a auto-observação e aprendermos a testemunhar nossos próprios pensamentos, emoções, atos e atitudes.  

Mais ainda, é preciso desenvolvermos uma visão interior que não acusa nem julga, mas unicamente observa, de maneira imparcial e objetiva, permitindo-nos conhecer a verdade tal como é.  

Além disso, é imprescindível aquietarmo-nos numa aceitação serena e honesta, admitindo o que somos e o que sentimos, sem jamais nos condenarmos ou punirmos.  

A auto-aceitação nos facilita a conscientização de nossos desacertos e de nossa ignorância e, se essa conscientização for progressiva e constante, aí descobriremos dentro de nós as fontes que nos perturbam a existência.  

Assumindo a responsabilidade total por nosso desequilíbrio, não passamos mais a "atribuir à ação direta dos Espíritos todas as nossas contrariedades, que, em geral, são conseqüência da nossa própria incúria ou imprevidência", nem tampouco a lançar culpa nos outros - na família, nas pessoas com quem convivemos, nas existências do passado ou nas regras injustas da sociedade.  

A rigor, aqui está o início da cura de toda auto-obsessão. 

Livro: A imensidão dos sentidos
Psicografia de Francisco do Espírito Santo Neto 

domingo, 20 de outubro de 2013

Casa Espírita & Senzala


Cento e vinte e cinco anos depois da abolição da escravatura negra seria teoricamente perda de tempo examinar resquícios daquela realidade desigual na sociedade brasileira. Não é. Ainda há focos de discriminação em muitas áreas, mas a gradual ascensão social tem até colocado os negros em níveis de decisão nas principais instituições nacionais como, por exemplo, a presidência da Suprema Corte da justiça brasileira com a eleição do Ministro Joaquim Barbosa. Numa área, em especial, parece prescindir da necessidade da adoção de uma espécie de segunda abolição da condição negra: os ambientes espirituais das casas espíritas.
O ambiente doutrinário das casas espíritas, de maneira geral, não abriga a presença dos “espíritos dos negros” nas suas práticas mediúnicas, há, em muitos casos, uma discriminação velada associando-os a atraso intelectual e moral, quando não à qualidade de entidades obsessoras. Duas razões básicas podem ser atribuídas a este comportamento equivocado: preconceito cultural e ignorância doutrinária.
PROMOVENDO UMA MUDANÇA CULTURAL
Etnocentrismo é o conceito utilizado para definir o comportamento da pessoa que vê o mundo através da sua cultura e tende a considerar o seu modo de vida como o mais correto e natural. Enxerga a realidade pelas lentes das suas próprias concepções e aquilo que foge ao padrão aceitável na comunidade na qual está inserida tende a discriminar o comportamento. Este fenômeno cultural é transferido para os ambientes espíritas à medida que se caracterizou como inferior as matrizes de manifestação espiritual dos negros do ponto de vista evolutivo.
Herdou-se, na prática, a concepção de uma elite que considera cultura superior aquela que viesse de “povos culturalmente mais desenvolvidos”, como a Europa, por exemplo. A ideia de elite cultural ocidental foi transplantada também para as sessões mediúnicas das casas espíritas, onde espíritos de intelectuais, profissionais liberais e padres, todos brancos, representariam uma condição espiritual igualmente superior. Os negros, ex-escravos, são considerados os selvagens, com práticas espirituais associadas à feitiçaria, necessitados assim da “catequização”, ou melhor, da doutrinação espírita.
Onde está a raiz deste desencontro cultural? Há uma data marcada que pode simbolizar o rompimento da possível convivência espiritual negra nos ambientes espíritas: 15 de novembro de 1908 - data de criação da Umbanda.
Zélio de Moraes, um jovem de 17 anos, estava psiquicamente perturbado. Era afetado por mudança de personalidade repentina quando através dele outras pessoas (mortas) se expressavam. Levado a então Federação Espírita de Niterói por seu pai, de convicção espírita, incorporou, na sessão mediúnica, uma entidade que se denominava Caboclo das Sete Encruzilhadas. Sua postura foi rechaçada pelos presentes, apesar de ser reconhecido, pela vidência mediúnica, na figura de um padre. Depois do episódio, no dia seguinte, a entidade funda a Umbanda, espaço onde os espíritos dos pretos-velhos africanos, que haviam sido escravos, e os índios, além de espíritos de qualquer cor, raça, credo ou posição social, poderiam se apresentar para a convivência espiritual partilhada.
Como seria o Espiritismo no Brasil se tivesse ocorrido uma convergência de interesses entre os representantes da doutrina espírita da época e as identidades espirituais da matriz cultural local?
Este questionamento se torna pertinente porque a filosofia espírita, recém-introduzida no País no século 20, trazia, entre seus protagonistas espirituais, personalidades de identidade cristã (João Evangelista, Erasto, Paulo etc.), de identidade católica (Fénelon, Santo Agostinho, São Luis etc.) e de identidade europeia (Sansão, Pascal etc.). Nada mais natural, afinal, esta era a matriz de cultura espiritual que Allan Kardec encontrou, já que foi lá, especialmente na França, a sua origem. O que não era razoável conceber – e foi o que predominou – é que esta matriz espiritual fosse considerada superior à matriz espiritual brasileira formada por negros e índios – e também os portugueses. Neste embate, infelizmente, preponderou o viés cultural. Ontem e ainda hoje.
SUPERANDO A IGNORÂNCIA DOUTRINÁRIA
É compreensível, portanto, que o ambiente cultural do País tenha influenciado o comportamento das casas espíritas, mas não se justifica, porém, que ela tenha se mantido, e o que é pior, que este equívoco doutrinário permaneça atualmente.
Em “O Livro dos Espíritos”, Allan Kardec indaga aos espíritos sistematizadores da filosofia espírita se “um homem que pertence a uma raça civilizada poderia, por expiação, reencarnar em uma raça selvagem?”. Eles asseveraram que isso é possível e que ocorre em função do gênero de expiação. Adiantam o que veio a acontecer com frequência no Brasil fruto do nosso passado escravocrata, esclarecendo que “um senhor que tenha sido cruel com seus escravos poderá tornar-se escravo por sua vez e sofrer os maus-tratos que fez os outros suportar.” Além desta condição expiatória, a reencarnação pode se dar como uma missão com a finalidade de ajudar o progresso.
Fica evidente, portanto, que os espíritos aproveitam as diversas situações para promover a evolução, em qualquer raça, em qualquer situação, em qualquer época, sendo um contrassenso generalizar como inferior tudo que venha da chamada raça selvagem.
No livro “A Gênese”, Allan Kardec esclarece sobre outro aspecto igualmente interessante, a mudança da aparência astral. É pelo pensamento e pela vontade que os espíritos podem modificar, segundo sua intenção, a sua aparência espiritual. Textualmente, chega a afirmar que se um espírito “foi negro (numa encarnação) e branco na outra, apresentar-se-á como branco ou negro, conforme a encarnação a que se refira a sua evocação e à que se transporte o seu pensamento.”
Às vezes, mesmo que um espírito não tenha tido uma encarnação na pele negra, por este mecanismo de mudança de aparência astral, ele, se quiser, poderia se apresentar como um negro para atingir um objetivo específico, como é o caso dos chamados pais-velhos.
O termo Pai-velho talvez seja o mais apropriado para se referir aos espíritos que povoam as mesas mediúnicas espíritas – quando permitem que se apresentem.  Os pais-velhos geralmente são espíritos iniciados de antigas civilizações e exatamente por causa disso são respeitados pelos espíritos das sombras pelo seu domínio do conhecimento do magnetismo e do ectoplasma, e pela sua capacidade de atuar em desmanche de magia negra. Apresentam-se nesta forma astral para lembrar no arcabouço atávico da população a figura de alguém humilde, sábio, simples e experiente. Mais. Esta aparência serve para combater o preconceito, quebrar barreiras raciais, religiosas, espirituais e sociais. De acordo com suas especializações espirituais e sua descendência de raiz cultural recebem sobrenomes diferenciados como do Congo, de Aruanda, de Angola, das Matas, das Almas etc.
FRATERNIDADE E ALTERIDADE NAS RELAÇÕES
Para se vencer o preconceito cultural e a ignorância doutrinária nos meios espíritas é imprescindível a vivência de duas condutas: a fraternidade e a alteridade.
Na dimensão dos espíritos, apesar de se agruparem por suas afinidades e identidades espirituais, o que prevalece é o compromisso no bem. Neste sentido, as divisões religiosas, raciais ou outras quaisquer, não têm a menor importância. Importa para eles é estar juntos para a prática do amor, numa relação fraterna. Espíritos ligados aos movimentos umbandistas, evangélicos, espíritas, católicos etc. dividem sua atuação em igrejas, templos, casas espíritas e tendas para ajudar ao próximo. Tudo pelo Cristo e pela urgência atual do período de transição planetária que se atravessa.
O filósofo espírita José Herculano Pires, em “Ciência Espírita”, defende que “Negros e índios têm o mesmo direito de colaborar nesta hora de transição, como brancos e amarelos. Mas sem a orientação segura do pensamento doutrinário, nas bases sólidas, lógicas e altamente culturais de Kardec, estaremos ameaçados de cair nos barrancos do caminho pelas mãos pretensiosas de cegos condutores de cegos.”
No caminho das relações alteritárias, o da convivência harmoniosa e construtiva entre os diferentes, oportuna é a observação do Pai João de Aruanda, no livro “Negro”, de Robson Pinheiro, principalmente para aqueles que temem uma suposta confusão entre o Espiritismo e a Umbanda, uma vez que é na Umbanda onde é mais comum a manifestação dos “pretos e pretas”: “Em matéria de espiritualismo, Umbanda ou Espiritismo, o que mais vale é a bandeira do amor e da caridade, sem preconceitos. União sem fusão, distinção sem separação.”
Em “Casa Grande & Senzala”, o sociólogo Gilberto Freyre tenta desmistificar a ideia de que no Brasil se teria uma raça inferior em função da miscigenação que aqui foi estabelecida, ao contrário, atribui a este fenômeno um ponto positivo na formação cultural brasileira, que é a sua singularidade. A transposição deste raciocínio é fundamental para o ambiente espírita à medida que resgata esta identidade espiritual vinda da África e que ganhou contornos próprios nesta terra que se propõe a ser o coração do mundo e a pátria do evangelho.
A edificação da referência da práxis evangélica para a humanidade somente ocorrerá, no entanto, se criarmos um ambiente de convivência focada na inclusão, no respeito às diferenças, na prática real do amor. E amor, definitivamente, não se conjuga com preconceitos.
Saravá!
Carlos Pereira
* Artigo publicado recentemente na Revista Cristã de Espiritismo. 

Psicofonia consciente, por André Luiz

"Nesse ínterim, os condutores, obedecendo às determinações de Clementino, localizaram o sofredor ao lado de Dona Eugênia. 
O mentor da casa aproximou-se dela e aplicou-lhe forças magnéticas sobre o córtex cerebral, depois de arrojar vários feixes de raios luminosos sobre extensa região da glote. 

Notamos que Eugênia-alma afastou-se do corpo, mantendo-se junto dele, a distância de alguns centímetros, enquanto que, amparado pelos amigos que o assistiam, o visitante sentava-se rente, inclinando-se sobre o equipamento mediúnico ao qual se justapunha, à maneira de alguém a debruçar-se numa janela. 

Ante o quadro, recordei as operações do mundo vegetal, em que uma planta se desenvolve à custa de outra, e compreendi que aquela associação poderia ser comparada a sutil processo de enxertia neuropsíquica. Suspiros de alívio desprenderam-se do tórax mediúnico que, por instantes, se mostrara algo agitado. Observei que leves fios brilhantes ligavam a fronte de Eugênia, desligada do veículo físico, ao cérebro da entidade comunicante. 

Porque eu lhe dirigisse um olhar de interrogação e estranheza, Áulus explicou, prestimoso: 
– É o fenômeno da psicofonia consciente ou trabalho dos médiuns falantes. Embora senhoreando as forças de Eugênia, o hós- pede enfermo do nosso plano permanece controlado por ela, a quem se imana pela corrente nervosa, através da qual estará nossa irmã informada de todas as palavras que ele mentalize e pretenda dizer. Efetivamente apossa-se ele temporariamente do órgão vocal de nossa amiga, apropriando-se de seu mundo sensório, conseguindo enxergar, ouvir e raciocinar com algum equilíbrio, por intermédio das energias dela, mas Eugênia comanda, firme, as rédeas da própria vontade, agindo qual se fosse enfermeira concordando com os caprichos de um doente, no objetivo de auxiliá- lo. Esse capricho, porém, deve ser limitado, porque, consciente de todas as intenções do companheiro infortunado a quem empresta o seu carro físico, nossa amiga reserva-se o direito de corrigi-lo em qualquer inconveniência. Pela corrente nervosa, conhecer-lhe-á as palavras na formação, apreciando-as previamente, de vez que os impulsos mentais dele lhe percutem sobre o pensamento sarnento como verdadeiras marteladas. Pode, assim, frustrar-lhe qualquer abuso, fiscalizando-lhe os propósitos e expressões, porque se trata de uma entidade que lhe é inferior, pela perturbação e pelo sofrimento em que se encontra, e a cujo nível não deve arremessar-se, se quiser ser-lhe útil, O Espírito em turvação é um alienado mental, requisitando auxilio. Nas sessões de caridade, qual a que presenciamos, o primeiro socorrista é o médium que o recebe, mas, se esse socorrista cai no padrão vibratório do necessitado que lhe roga serviço, há pouca esperança no amparo eficiente. O médium, pois, quando integrado nas responsabilidades que esposa, tem o dever de colaborar na preservação da ordem e da respeitabilidade na obra de assistência aos desencarnados, permitindo-lhes a livre manifestação apenas até o ponto em que essa manifestação não colida com a harmonia necessária ao conjunto e com a dignidade imprescindível ao recinto. 

– Então – alegou Hilário –, nesses trabalhos, o médium nunca se mantém a longa distância do corpo... 

– Sim, sempre que o esforço se refira a entidades em desajuste, o medianeiro não deve ausentar-se demasiado. Com um demente em casa, o afastamento é perigoso, mas se nosso lar está custodiado por amigos cônscios de si, podemos excursionar até muito longe, porquanto o nosso domicílio demorar-se-á guardado com segurança. No concurso aos irmãos desequilibrados, nossa presença é imperativo dos mais lógicos."

Livro: Nos Domínios da Mediunidade, págs. 49 e 50
pelo Espírito André Luiz / Francisco C. Xavier 

segunda-feira, 17 de junho de 2013

A licantropia, por André Luiz

Um caso de licantropia narrado por André Luiz, no livro  "Libertação" . Interessante observar o material fornecido pela mente da "vítima" da hipnose. O poder da mente nos destinos da vida. 
Confira.

- André Luiz vai a uma missão na região dominada pelos chamados "Dragões", acompanhado do instrutor Gúbio e de outro companheiro, o Élio. Eles acompanham uma cerimônia dos "juízes" diante dos espíritos subjugados no local. Uma mulher é o alvo de um dos hipnotizadores. 

"E incidindo toda a força magnética que lhe era peculiar, através das mãos, sobre uma pobre mulher que o fixava, estarrecida, ordenou-lhe com voz soturna:
— Venha! venha!
Com expressão de sonâmbula, a infeliz obedeceu à ordem, destacando-se da multidão e colocando-se, em baixo, sob os raios positivos da atenção dele.
— Confesse! confesse! — determinou o desapiedado julgador, conhecendo a organização frágil e passiva a que se dirigia.
A desventurada senhora bateu no peito, dando-nos a impressão de que rezava o “confiteor” e gritou, lacrimosa:
— Perdoai-me! perdoai-me, ó Deus meu!
E como se estivesse sob a ação de droga misteriosa que a obrigasse a desnudar o íntimo, diante de nós, falou, em voz alta e pausada:
— Matei quatro filhinhos inocentes e tenros... e combinei o assassínio de meu intolerável esposo... O crime, porém, é um monstro vivo. Perseguiu-me, enquanto me demorei no corpo...
Tentei fugir-lhe através de todos os recursos, em vão... e por mais buscasse afogar o infortúnio em “bebidas de prazer”, mais me chafurdei no charco de mim mesma...
De repente, parecendo sofrer a interferência de lembranças menos dignas, clamou:
— Quero vinho! vinho! prazer!...

Em vigorosa demonstração de poder, afirmou, triunfante, o magistrado:
— Como libertar semelhante fera humana ao preço de rogativas e lágrimas?
Em seguida, fixando sobre ela as irradiações que lhe emanavam do temível olhar, asseverou, peremptório:
— A sentença foi lavrada por si mesma! não passa de uma loba, de uma loba...
A medida que repetia a afirmação, qual se procurasse persuadi-la a sentir-se na condição do irracional mencionado, notei que a mulher, profundamente influenciável, modificava a expressão fisionômica. Entortou-se-lhe a boca, a cerviz curvou-se, espontânea, para a frente, os olhos alteraram-se, dentro das órbitas. Simiesca expressão revestiu-lhe o rosto.

Em voz baixa, procurei recolher o ensinamento de Gúbio, que me esclareceu num cicio:
— O remorso é uma bênção, sem dúvida, por levar-nos à corrigenda, mas também é uma brecha, através da qual o credor se insinua, cobrando pagamento. A dureza coagula-nos a sensibilidade durante certo tempo; todavia, sempre chega um minuto em que o remorso nos descerra a vida mental aos choques de retorno das nossas próprias emissões.

E acentuando, de modo singular, a voz quase imperceptível, acrescentou:
— Temos aqui a gênese dos fenômenos de licantropia, inextricáveis, ainda, para a investigação dos médicos encarnados. Lembras-te de Nabucodonosor, o rei poderoso, a que se refere a Bíblia? Conta-nos o Livro Sagrado que ele viveu, sentindo-se animal, durante sete anos. O hipnotismo é tão velho quanto o mundo e é recurso empregado pelos bons e pelos maus, tomando-se por base, acima de tudo, os elementos plásticos do perispírito.

Notando, porém, que a mulher infeliz prosseguia guardando estranhos caracteres no semblante perguntei:
— Esta irmã infortunada permanecerá doravante em tal aviltamento da forma?
Finda longa pausa, o Instrutor informou, com tristeza:
— Ela não passaria por esta humilhação se não a merecesse. Além disso, se se adaptou às energias positivas do juiz cruel, em cujas mãos veio a cair, pode também esforçar-se intimamente, renovar a vida mental para o bem supremo e afeiçoar-se à influenciação de benfeitores que nunca escasseiam na senda redentora. Tudo, André, em casos como este, se resume a problema de sintonia. Onde colocamos o pensamento, aí se nos desenvolverá a própria vida." (...)

Livro: Libertação (Capítulo 5, Operações Seletivas)
Autor: André Luiz / Chico Xavier

segunda-feira, 3 de junho de 2013

São espíritos involuídos os pretos velhos e caboclos?

Amigas e amigos,
disponibilizamos abaixo trecho do terceiro capítulo do livro "Lições da Mediunidade", de autoria de Pedro Camilo (BA), que nos convida a uma reflexão sobre o "preconceito" existente no Movimento Espírita contra a presença de espíritos em roupagem de pretos velhos e caboclos. 
Confira.

<Ao classificar os caboclos e pretos-velhos como inferiores e ignorantes, os nossos companheiros de ideal não são, apenas, movidos pelo preconceito de julgar desprestigiosa a vida simples e despojada que algumas grupos étnicos tiveram ou têm. Agem, também, com desconhecimento doutrinário, esquecidos de que esses espíritos já tiveram outras reencarnações, que podem ter se dado entre a cultura e as academias do saber, encontrando-se momentaneamente envoltos por uma aparência primitiva, embora não menos dotada de qualidades superiores.

<Surpreendemos opiniões variadas a esse respeito, grande parte delas eivada desse preconceito incompreensível. Para parcela do Movimento Espírita, não devemos aceitar a presença de espíritos que se intitulam pretos-velhos porque tal designação revelaria apego, atavismo e ignorância, e “estamos aqui para tirar a ignorância”. Afirma-se, ainda, que devemos convocar o espírito a que assuma outra roupagem, de uma outra encarnação, adotando seu nome de batismo, explicando-lhe que, agora, já não é mais “pai” ou “mãe” fulana, e sim “irmão” ou “irmã”.

<Apesar do respeito que temos por todos e por toda opinião, discordamos completamente dessa visão. É claro que não devemos manter, com esses espíritos, uma relação de escravidão: nem devemos querer escravizá-los, nem aceitar que tenham tal inclinação. Caso tenham sido escravos, tal situação ficou no passado, não devendo ser revivida sob qualquer pretexto. Contudo, não se pode inferir que sejam ignorantes por simplesmente optarem por um designativo que lhes foi caro, como o de “pai”, “mãe”, “vô” ou “vovó”, muito menos pela aparência que escolhem manter na vida espiritual.

<É perfeitamente natural e lógico que os espíritos mantenham suas vinculações culturais e religiosas. Assim, não é tanto por isso que devemos avaliar seu nível de evolução espiritual, mas sim pelo que dizem, pelo que fazem e pelo teor de suas vibrações. Não podemos transportar os falsos julgamentos feitos a partir da aparência para a relação com os espíritos.

<Manifestar-se como preto-velho ou caboclo revela atavismo? Sim, certamente, não poderemos negar. No entanto, o que diremos de espíritos que se revelam como padres, freiras, senadores romanos ou médicos alemães? Também isto não revelará atavismo? Não será, também, expressão de apego às experiências de uma encarnação que mais marcou o espírito? E o designativo de “irmão” ou “irmã”, que é sugerido para os pretos-velhos e os caboclos, também não se refere ao atavismo católico, à vida dos primeiros cristãos e dos monastérios, pois não é assim que costumamos designar os religiosos católicos?

<Assim, devemos ter muito cuidado com argumentos que, ainda que não intencionalmente, alimentam uma espécie de separatismo espiritual. Tratar índios e ex-escravos como inferiores pressupõe tratar os demais – padres, freiras, senadores romanos, médicos alemães e brasileiros – como superiores, numa clara expressão de “eugenia espiritual”. Isto, sim, nos colocaria em condição de ignorância dos valores que verdadeiramente importam na vida de Além Túmulo, depondo contra os princípios do Espiritismo e do próprio Cristianismo.>

* Eugenia (significado)
Por Dicionário inFormal (SP) em 25-02-2008
é um termo criado por Francis Galton (1822-1911), que a definiu como o estudo dos agentes sob o controle social que podem melhorar ou empobrecer as qualidades raciais das futuras gerações seja física ou mentalmente. O tema é bastante controverso, particularmente após ter sido parte fundamental da ideologia de pureza racial nazista, a qual culminou no Holocausto. Mesmo com a cada vez maior utilização de técnicas de melhoramento genético usadas atualmente em plantas e animais, ainda existe um certo receio quanto ao seu uso entre os seres humanos, chegando até o ponto de alguns cientistas declararem que é de fato impossível mudar a natureza humana, negando o caráter animal de nossa espécie.

Atualmente, diversos filósofos e sociólogos declaram que existem diversos problemas éticos sérios na eugenia, como o abuso da discriminação, pois ela acaba por categorizar pessoas como aptas ou não-aptas para a reprodução.